Fernando Diniz, do São Paulo, e Tiago Nunes, do Corinthians, são técnicos da nova geração que carregam a prerrogativa de apresentar um futebol bonito e de resultado.

Os dois tiveram bons lampejos dessa filosofia ofensiva em seus atuais clubes, adversários neste domingo, às 11h, no Morumbi, pelo Brasileirão. Mas os momentos não foram suficientes para dar paz aos treinadores em seus cargos – e a irregularidade de suas equipes os levou a adaptar o estilo de jogo.

Diniz reforçou a defesa e passou a correr menos riscos com a bola no pé quando o jogo se mostra desfavorável. Já Tiago Nunes não conseguiu impor no Timão o futebol "propositivo e vistoso" prometido em sua chegada.

Agora, os dois tentam aproveitar o clássico para consolidar o trabalho. E eles se conhecem bem. Em 2018, quando Fernando Diniz era técnico do time principal do Athletico, Tiago Nunes era da equipe de aspirantes.

Fernando Diniz
A pressão sobre Fernando Diniz fez o treinador agir nas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro. Defensor do futebol com posse de bola e de triangulações rápidas com movimentações, ele teve que fazer adaptações para sofrer menos na defesa.

Nos seis primeiros jogos após o retorno do futebol, o São Paulo levou gol em cinco. Diniz, então, modificou a zaga e fez algumas alterações no meio de campo e no ataque para o time ter mais segurança. A tentativa surtiu efeito, pelo menos nas últimas duas rodadas do Brasileirão, quando o São Paulo venceu sem tomar gol.

Para que isso fosse possível, porém, o time não foi fiel aos conceitos de Diniz o tempo todo e abriu mão de alguns fundamentos no decorrer dos confrontos.

No jogo contra o Sport, por exemplo, o São Paulo fez um primeiro tempo no estilo de Diniz, com jogadas sendo iniciadas no campo de defesa até chegar ao ataque, de pé em pé. A equipe criou pelo menos três boas oportunidades dessa maneira.

No segundo tempo, no entanto, o time pernambucano pressionou, e o São Paulo teve que se defender como podia, abrindo mão de certas convicções do treinador.

– Se for preciso usar essa prerrogativa para vencer, vai ser usada. Não é a minha preferência, mas sempre que precisar, tem que fazer, porque o objetivo de todos é vencer – afirmou Diniz após a vitória sobre o Sport.

A iniciativa de não "morrer abraçado" com suas ideias chegou em um momento em que o treinador via seu trabalho ameaçado por críticas da torcida e por um futebol ruim apresentado dentro de campo.

Tiago Nunes
Tiago Nunes chegou ao Corinthians em janeiro com bastante moral, muito em função dos excelentes resultados conquistados no Athletico – como os títulos da Copa do Brasil e da Sul-Americana. Foi contratado para "radicalizar", mudando um estilo de anos no Timão.

O problema é que Tiago ainda não conseguiu entregar o prometido. No primeiro semestre, foi eliminado da Libertadores ainda na fase prévia e fez péssima primeira fase de Paulistão; no começo do segundo, parecia que iria embalar, com a invencibilidade aliada à classificação à final do estadual, contra o Palmeiras.

O Timão, porém, ficou com o vice, e as coisas começaram a desandar de novo. Depois da final do Paulistão, teve apenas uma vitória em quatro jogos. O empate com o Fortaleza, em casa, na rodada passada, mostrou que o time ainda não está pronto.

Há limitações claras no elenco, às quais o treinador ainda se acostuma. Ele tem feito inúmeros testes no meio e no ataque em busca dos jogadores ideais para jogar ao lado de pilares como Cássio, Fagner, Gil e Jô. Chegou, por exemplo, a promover a estreia como titular do garoto Ruan Oliveira, de 20 anos. E agora também poderá usar o novo reforço Otero.

O tal futebol vistoso fica em segundo plano para que o time, enfim, consiga se estabilizar na defesa sem depender apenas dos milagre de Cássio, consiga formar um meio-campo criativo e tenha poderio ofensivo. Mesmo no fim de agosto, o Corinthians segue em construção.

Na última entrevista, o treinador subiu o tom e disse que só se vê o lado negativo do Corinthians. Ele tem se mostrado incomodado com as críticas.

– A equipe também quase ganhou, então esse detalhe do quase perdeu ou quase ganhou é uma diferença de metros. Tratando-se do Corinthians, vocês têm a avaliação da ótica negativa. Eu busco olhar o lado positivo de que criamos muitas chances, mas a questão é do aproveitamento. Quem jogou bola sabe, quem conhece o vestiário sabe, é momento de a bola entrar para fazer a diferença. Estou satisfeito pela entrega dos jogadores, estamos no caminho certo – disse.